Rui Nascimento Interview

Rui Nascimento

 

Decidi entrevistar o atleta Rui Nascimento, culturista que alcançou o título de Campeão Nacional Absoluto em 2014. Vejamos o que esta grande referência do Culturismo Nacional tem para nos dizer… 

Nome: Rui Pedro Martins Baptista Nascimento

Idade: 36 anos 

Profissão: Empresário e personal trainer.  

 

Com que idade entraste no mundo da musculação? E o que te levou a tomar essa decisão?Comecei a treinar musculação com 21 anos, no Ginasio Spartacus, em Lisboa, pratiquei remo até aos 17 anos mas uma lesão no joelho e a entrada na universidade retiraram-me da alta competição. Entretanto tive formação para treinador de remo e continuei ligado ao clube naval de Lisboa até aos 20 anos, como monitor das escolas de remo. Continuei a treinar mas a motivação jamais foi a mesma, entretanto por motivos profissionais fui viver para o Algarve e foi aí que me dediquei à musculação. Tive o primeiro contacto com o culturismo porque comecei a treinar no Champions Gym, em Quarteira, na altura propriedade do Elio do Carmo que tinha acabado de ganhar o troféu Mar Mediterrânico e do meu amigo Nelson. No ano seguinte vim com Elio e com o grande João Damião a uma prova MLO no pavilhão Carlos Lopes, onde o João foi homenageado pela sua carreira no Culturismo, ele que chegou a ficar melhor classificado num Europeu que o Lee Priest!! O meu irmão também competiu em 2002 e 2003 e por ele e por excelentes atletas que tive oportunidade de conhecer nasceu em mim o desejo de subir ao palco. Infelizmente entre 2006/2008 estive completamente parado e no nosso desporto isso é como voltar ao zero. Em 2009 regressei aos treinos e desde então tenho vindo a treinar sempre mais motivado.  

Já sentiste alguma vez incompatibilidade entre o culturismo e a tua vida profissional? 
Trabalho à noite já há 18 anos e isso tem tanto de positivo como de negativo no que diz respeito ao culturismo. Por um lado permite-me ter a tarde livre para desenvolver a atividade de personal trainer, estar com os meus filhos e treinar ao final do dia, por outro lado, tenho os horários das refeições trocados e o período de sono que dura no máximo seis horas é diferente quando dormimos já com o dia a nascer. Mas como em tudo é uma questão de adaptação.

Foste sempre apoiado pela tua família e grupo de amigos desde o teu começo nesta atividade? 
O apoio da família acho que é fundamental quando pretendemos competir, sem o apoio da minha mulher e amigos seria impossível ter chegado onde cheguei. Fazemos grandes mudanças alimentares e comportamentais por vezes difíceis de entender para quem não está no meio, e são os que nos estão mais próximos que fazem por nós a ponte para com o resto das pessoas que nos rodeiam, para que entendam o porquê de não comermos de tudo, de não passarmos um dia sem ir ao ginásio, não termos aquela disposição habitual para falar ou conviver, isto em pré-competição claro. Sou muito grato à minha mulher pelo seu apoio e aos meus filhos também.

Rui Nascimento

 

Qual foi a sensação que tiveste na primeira vez que subiste ao palco numa competição? 
A primeira vez só é diferente num especto… É a primeira. Porque em todas as provas que entrei o stress, o nervosismo, a ansiedade foram iguais, ou até piores que na primeira prova. 

Lembras-te do teu treino mais doloroso? Podes descrevê-lo? 
Não tenho assim um treino que consiga eleger como o mais doloroso, foram muitos. Os de perna como sabem são os que nos deixam mais marcas durante o treino mas quanto a ser mais doloroso acho que consigo eleger os treinos em dieta umas semanas antes da prova. 

Quando estamos em off e abusamos nas cargas treinamos como uns animais mas quando começamos as dietas, baixamos os hidratos, aumentamos a intensidade e mesmo assim queremos manter as cargas altas, aí sim torna-se bastante doloroso!!! 

Quais os fatores que consideras essenciais para se ser bem-sucedido neste desporto? 
Para se ser bem-sucedido neste desporto acho que é essencial termos uma grande motivação, disciplina, espírito de sacrifício, humildade para percebermos que a luta para vencer é conosco e não com os outros, somos nós que temos que melhorar os nossos pontos fracos e chegarmos à nossa melhor forma e que se isso não for suficiente para vencer é porque alguém estava melhor que nós, então há que tentar perceber as nossas limitações e ultrapassa-las.

É essencial também sermos bem acompanhados porque em dieta e pré-competição nós somos os nossos piores críticos e é nessa fase que o papel do preparador é fundamental quer tenhas competido uma, seis ou vinte vezes. Quem se dedica ao culturismo sabe que não é um desporto como outro qualquer, é um estilo de vida onde tudo o que tu faças se irá refletir em ti. 

Com um tão vasto histórico nesta modalidade qual é o teu próximo objetivo? 
Neste momento tenho como objetivos próximos competir em 2015 no Nacional e no Europeu que achei uma experiência fantástica que recomendo a todos, e competir no Arnold Europe e Taça de Portugal. Estive a competir desde Novembro a Maio e agora com calma quero fazer a minha evolução para em 2015 competir em todas as provas e alcançar os melhores resultados possíveis. 

Qual é a tua opinião sobre o uso de anabolizantes em competições? Achas que é esse o motivo para que o culturismo não seja considerado uma modalidade olímpica? 
O culturismo sempre foi e será conotado com o uso de anabolizantes mas penso que esse preconceito tende a diminuir à medida que vem sendo conhecido o uso de doping em muitas outras modalidades. Aliás nos controlos anti doping realizados em 2013 no Campeonato da Europa e do Mundo de Culturismo os resultados foram mínimos quando comparados com os de outros desportos. Está provado que em alta competição o uso de substâncias dopantes é quase como que obrigatório se queremos continuar a ver batidos recordes, o que tem evoluído são os métodos de camuflar esse uso bem como as próprias substâncias. Eu não condeno o uso de anabolizantes mas acho que deve ser feito muito ponderadamente e sempre com acompanhamento médico. Penso que com exceção aos Estados Unidos onde a nível profissional o Culturismo é das modalidades de topo, a nível mundial a sua expressão ainda é pequena para pensarmos que possa passar a modalidade olímpica. 

Rui Nascimento

 

Alguma vez consideraste a genética um entrave nesta atividade? 
Penso que a genética tem um papel muito importante na nossa atividade mas não fundamental. Eu próprio não me considero muito dotado geneticamente mas foi só a seguir à primeira prova, só depois de passar pela primeira secagem à seria que tive noção dos meus pontos fortes e fracos e desde então tem sido a minha luta, corrigir as assimetrias. É lógico que são as questões genéticas que definem quem consegue chegar ao topo com maior ou menor facilidade. 

Na tua opinião, quais são os principais aspetos que um preparador tem de ter em conta para que os seus atletas evoluam? 
O mais importante num preparador é que seja tão exigente com o atleta como o atleta é com ele próprio. A relação preparador atleta só funciona se houver confiança e seriedade de ambas as partes. Um preparador tem de saber diferenciar os seus vários atletas e saber individualizar os seus planos de treino e de alimentação, porque cada corpo é um corpo e o que funciona com um pode não funcionar tão bem com outro, o preparador tem também que ser capaz, ele próprio, de evoluir e de se adaptar aos tempos modernos onde até os critérios de avaliação dos juízes são diferentes. O trabalho do preparador só pode ser reconhecido se nós fizermos a nossa parte, se seguirmos aquilo que ele nos diz à risca e se não tentarmos fazer as coisas por nós ou se não dermos ouvidos a terceiros. Eu sempre me entreguei nas mãos dos meus preparadores, talvez por existir antes uma relação de amizade e sempre fui bem sucedido.

Obrigado Sérgio Páscoa, Maciel e Ricardo Jerónimo.

Que conselhos gostarias de deixar aos leitores para que eles sejam bem-sucedidos neste desporto? 
Definam os vossos objetivos, treinem muito, comam e suplementem bem, nunca desistam e os resultados irão chegar. Aconselhem-se com os melhores, não ouçam os que os tentam desanimar e acreditem que é possível. “Pain is temporary, Pride is Forever”.

Obrigado à Nutrysport e a ti David Araújo, um exemplo para os nossos jovens!!

Obrigado pela tua disponibilidade e boa sorte para o futuro.

       

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David Araújo

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